Joana dos Prazeres.

- Prazer, Joana Gomes, 27, digo, 32, casada! Ou melhor, solteira! Quero dizer, amante! Desisto, não sei!

Joana, na verdade era casada, e muito bem casada. Seu marido, Jorge Peixoto, era conhecido de todos. Político reeleito com mais de 85% dos votos. E se pensa que era mais um dos engravatados de Brasília, se engana. Jorge era Humilde, Honesto e Homem. Adorado por todos, inclusive pela mulher. Que também adorava Rinaldo, padeiro da esquina de sua casa.

Eu não a culpo, acho até que fez muito bem feito. Nada contra o seu prefeito. Mas Joana era infeliz ao lado do governante, sentia-se sozinha durante o dia, à tarde e a morte de um parente. As tarefas na câmara e as longas viagens abalaram os ânimos da Primeira-dama. Que resolveu buscar colo, logo ali ao lado. Mas por incrível que pareça, foi paixão à primeira vista. Joana se derreteu com os olhos verdes de Rinaldo. E Rinaldo, claro, se instigou pelas curvas, coxas torneadas e par de peitos da loira, de um metro e oitenta e tantos.

- Prazer, Joana!

Com o passar do dia, Joana cortou a dieta e começou, de hora em hora, saborear aquelas porcarias deliciosas do balcão da panificadora. Acabou que começou um lindo e trágico caso de paixão. Dias e mais dias, olhares e mais olhares, carícias e mais carícias. Rinaldo já abria a porta da geladeira sem pedir permissão. A sorte dos dois era que a vizinhança adorava tanto o Excelentíssimo corno, que acabaram adorando a sem vergonha, nada contra, eu já disse, mas era como ela seria chamada caso soubessem. E nem se importavam quando o jovem demorava 5 minutos para entregar o leite àquela gata faminta.

Esta é uma história trágica, não pelo que o político fez com o pobre rapaz, até porque, ele nunca soube. É trágica pelo fato de que as promessas de paixão eterna de Joana, logo se derreteram e escoaram pelo ralo do banheiro, local predileto da Excelentíssima dama de segunda, nada contra, mas sempre tem um gozador. E neste caso, não era a mulher, ela não gozava mais do carinho e atenção de Rinaldão.

Torna-se mais triste, saber que mantém os dois romances em alta, sem negar fogo a qualquer um dos dois. Mas voltou a ser infeliz. Sentia-se amada, mas não amava. E mais uma vez, acertou. Partiu em busca de colo, novamente. Calmamente, não era de escolher, esperava acontecer o tal encanto. Apesar de adorar os lindos olhos azuis do Carlos, açougueiro da rua de baixo. Isso me faz lembrar o dia em que a encontrei comprando meio quilo de fígado:

- Obrigada, Carlão!

- Foi um prazer, minha Primeira-dama!

Pensando bem, talvez Rinaldo não fosse o primeiro da Primeira.

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