Marte é de morte!

O maior problema do mundo é a vida. Essa tal graça de Deus deixou a Terra sem graça. Olhe só Marte. Que espetáculo de planeta! E que brilho intenso! Uma verdadeira estrela bailando no céu! Muitas vezes, roubando a cena da lua. Mas aí eu até entendo, afinal, já houve vida nesse globo lunar, por poucos, mas memoráveis momentos – Um pequeno passo para o homem, um enorme passo para a humanidade! - Mas com Marte é diferente, por enquanto, nada comprova a existência de algum tipo de vida por lá, o que faz com que desejemos tanto pisar sobre o planeta vermelho e sermos os primeiros a habitarmos uma terra morta, mas divina. Olhe como é redonda! Aposto que é mais redonda do que o nosso planeta azul! Azul, que cor mais sem graça! Tudo bem, eu posso entender de novo, vermelho é a cor da moda. Mas que raios de vidas buscamos no universo? Quando na verdade, estamos atrás do novo mais velho que nós, já enterrado ou cremado.
Talvez estejamos à procura de um mundo contrário deste em que vivemos. Mais uma vez, entendo. Oh, mundinho chato este, mais cheio de vida! Credo! Eu também quero um lugar pra ser chamado de meu, onde não haja guerras e criancinhas miseráveis. Inclusive, esse deve ser o porquê uma viagem ao espaço custa tão caro, quem ganha menos de 80 salários mínimos não tem espaço para entrar. Mas se um dia chegarmos a Marte, acredito veemente que não seremos os primeiros. E aqueles robozinhos que a NASA manda para lá? Tenho a certeza de que uma comunidade robótica está sendo criada em Marte. A gente nunca escuta dizer o que acontece com eles depois das suas missões. Sem contar que aqueles andróides são mais inteligentes do que qualquer japonês dono de uma montadora de carros. E não venham me dizer que eles não têm vida. Muito do contrário, a vida que eles levam é melhor do que a qualquer um de nós, pelo menos até serem enviados para o espaço. São tratados como aquela galinha que precisa ser bem alimentada para depois alimentar bem.
Voltando a morte, digo, a Marte, tem um problema com séria gravidade: a falta dela. Mas, então, qual é a graça de se viver num lugar como esse? Tudo bem, eu serei repetitivo, mas entendo. Olha que bacana, posso voar! Que delícia flutuar! Estou me sentindo tão leve, nem parece que peso 130 quilos! Quanta bobagem, isso deve ser um pé no saco depois de 30 minutos, imagine 12 horas por dia. Eu digo 12 porque nas outras 12 horas você não teria nada com que se preocupar e, quem sabe poderia descansar ou cochilar ou ainda assistir os vídeos mais engraçados do YouTube feitos aqui na Terra pelo seu iSpacial (é assim que o iPhone deverá se chamar futuramente).
O que me preocupa de verdade é sobre o que acontecerá quando dividirmos o solo vermelho com os robôs e entramos em guerra com os coreanos do hemisfério sul que chegaram três meses depois dos americanos e insistem em detonar uma bomba atômica sobre os países de terceiro mundo que ficaram naquela área inabitável e escura, onde o sol nunca bate. O que faremos e pra onde iremos? Plutão está fora do sistema solar e do nosso alcance. Sendo assim, nos vemos em Vênus.

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