O Tempo Só Pensa Nele.

Mesmo sabendo que é tolice, estive pensando sobre o futuro. Como serão os anos 2.052? Se minha saúde permitir e se Deus quiser, estarei com setenta anos de vida. Será que verei carros engarrafados pelos céus? Será que minha pele resistirá a 10 cirurgias plásticas? Só peço e torço para que o Viagra não se torne uma droga e o governo proíba suas vendas. Mas se pensar somente dessa forma, serei egoísta demais. Quero saber qual será o mundo que meus filhos, netos e bisnetos terão.

Sonho em ver crianças ao meu redor, eu quero muito vê-los correndo para cima e para baixo. Mas temo pelo que espera por eles. Acho o máximo o pai que consegue conciliar trabalho e família, mesmo sabendo que os que conseguem têm uma grande ajudinha da mãe ou do outro pai, sabe como é, nos dias de hoje. Mas será que conseguirei tê-los em minhas mãos até atingirem a maioridade ou não ficarei de saco cheio e largarei tudo? Não. Acredito que serei um pai perfeito, como todos os pais pensam e muitos filhos duvidam.

O tempo só faz piorar essa relação. Todo dia que passa, inventam algo mais perigoso do que as famosas e tranqüilas corridas de rolimã. Como farei para evitar que meu filho se meta num racha? Tudo bem. A questão é a educação. E quem garante que o melhor amigo do garoto não seja um traficante ou um psicopata? E como vou prendê-lo em casa e obrigá-lo a sentar na frente do computador pelo resto do tempo que não estiver na escola? Eu não quero isso. Não gostaria que isso acontecesse comigo. Quero ir assistir as suas partidas de futebol, mas já pensou se um moleque mais velho quebrar a sua perna? E depois do colégio, quando entrar para a faculdade? Será que ele estará preparado para encarar uma carreira (profissional, por favor) e se tornar um homem bem-sucedido que assegure o seu futuro e o meu. Quem sabe? E se ele se tornar um oceanógrafo fracassado e mergulhar na bebida? E se os números de desempregados quadriplicarem e não conseguir, sequer, vaga para gari?

Pensando bem, é melhor eu me tornar aquele egoísta e pensar só em mim, porque, senão, corro o risco de envelhecer e ver os meus filhos, netos e bisnetos nem se importarem com as minhas preocupações e, talvez, nem ver as festas, os carros, as namoradas, as baladas, a bagunça, a zona e a alegria deles.

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