- Por que você não me disse?
- E desde quando eu preciso lhe dizer que fui à feira comprar meia dúzia de batatas?
- Desde quando aceitou aquela baboseira toda que o padre disse, na saúde e na riqueza...
- Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, Luiz! E se tudo aquilo foi uma baboseira como você diz, por que lhe devo explicações?
- Não complica, Rosi! Você é minha mulher! Eu só quero saber por onde anda!
- Tudo bem! Para o seu conhecimento, eu fui à feira fazer a compra da semana! Depois de passar na casa da minha mãe e antes de ir fazer a unha!
- Eu sabia!
- Do que, Luiz?
- De você! Saiba que você, Rosi, está dando motivos para os vizinhos me acharem o maior corno do prédio! Oi, onde você mora? Ali, no bloco C! Ah, no C de corno!
- Pára com isso, Luiz! Eu sou a mulher mais fiel desse mundo e sempre te respeitei! Essa sua desconfiança e insegurança, sim, é baboseira! Eu te amo, meu bem!
- E essas unhas? Para que? Se a gente não tem festa de aniversário ou, sequer, festa de casamento para ir!
- O que deu em você, hein? Eu sou mulher e a vida toda eu fiz as unhas, inclusive, depois de nos casarmos!
Silêncio.
- Desculpa, Rosi! Desculpa, eu não queria...
- Tudo bem, meu amor! Eu entendo! Você deve estar carente! Venha aqui me dar um abraço!
Um longo abraço de três segundos!
- O que é isso, Luiz?
- Isso o que, querida?
- Esse cheiro! É do seu perfume novo, e que eu te dei no Dia dos Namorados!
- É mesmo! Gostou?
- Não! Mas aquelas vagabundas do escritório devem ter adorado!
- Se não gostou, por que me deu?
- Não se faça de cínico! Que história é essa de ir trabalhar com o perfume novo que eu te dei?
- Mas esse é o único que eu tenho!
- Não me interessa! A propósito, depois de fazer as unhas, eu fui à farmácia, depois à padaria e depois ao shopping olhar as vitrines por mais de duas horas!
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário